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Simulação aplicada ao projeto de tubulações industriais

  • há 5 horas
  • 9 min de leitura

Tubulações industriais estão presentes em praticamente todos os setores de processo: óleo e gás, energia, mineração, siderurgia, saneamento, química, alimentos, farmacêutica, automotivo e muitos outros. Elas transportam água, óleo, gases, vapor, produtos químicos, efluentes, sólidos em suspensão e fluidos sob condições severas de pressão e temperatura.


Aplicações industriais de CFD em óleo e gás, automotiva e siderurgia.

Apesar de muitas vezes parecerem elementos simples de infraestrutura, tubulações concentram desafios críticos de engenharia. Alterações de geometria, curvas, válvulas, variações térmicas, presença de partículas, escoamentos multifásicos e mudanças operacionais podem gerar perdas de carga, zonas mortas, erosão, deposição, vibração, falhas estruturais e aumento do consumo energético. 


aplicações de tubulações de acordo com suas cores

Nesse contexto, a simulação computacional deixa de ser apenas uma ferramenta de validação e passa a ser uma aliada estratégica no projeto, na operação e na otimização de sistemas industriais. Com o uso de tecnologias como CFD, análise térmica, interação fluido-estrutura (FSI), estudos paramétricos e análises com partículas (DEM), é possível avaliar cenários, antecipar riscos e tomar decisões de engenharia com mais segurança.

 

Por que simular tubulações industriais?


O desempenho de uma tubulação depende de uma combinação de fatores físicos e operacionais. A velocidade do fluido, a pressão, a temperatura, a rugosidade, a geometria, a presença de sólidos, a composição do fluido e as condições de contorno afetam diretamente o comportamento do sistema.


Na prática, isso significa que pequenas decisões de projeto podem gerar impactos relevantes ao longo da vida útil do equipamento. Um raio de curva inadequado pode aumentar a perda de carga. Uma velocidade mal dimensionada pode acelerar desgaste abrasivo. Uma região de baixa velocidade pode favorecer deposição. Um gradiente térmico pode induzir tensões. Um regime multifásico instável pode gerar vibração e fadiga.


Simulação CFD de fluxo em duto com linhas de corrente e mapa de velocidade.

A simulação permite investigar esses fenômenos antes que eles se transformem em problemas de campo. Entre as principais aplicações estão:


  • Previsão de perdas de carga e distribuição de velocidades;

  • Identificação de recirculações, separações e zonas mortas;

  • Análise de erosão, corrosão, incrustação, deposição e fouling;

  • Avaliação de regimes multifásicos, como bolhas, slugging, fluxo anular e transporte de partículas;

  • Otimização de diâmetros, curvas, válvulas e layouts;

  • Redução do consumo energético;

  • Integração com análises térmicas e estruturais;

  • Suporte à tomada de decisão com base em dados.


Ao substituir parte da dependência de protótipos físicos por modelos virtuais, as equipes de engenharia conseguem reduzir custos, acelerar ciclos de projeto e aumentar a confiabilidade das soluções propostas.

 

CAD 3D como base para engenharia integrada


Antes de qualquer simulação, é essencial que a geometria do sistema seja bem representada. O uso de ferramentas CAD 3D aplicadas a tubulações permite estruturar modelos mais complexos, automatizar tarefas e padronizar projetos em diferentes localidades.


Soluções como Solid Edge Piping e Siemens NX contribuem para a criação e o gerenciamento de projetos de tubulação, desenhos de fabricação, PMI, documentação técnica e integração com ambientes PLM. Essa integração é importante porque aproxima as etapas de concepção, documentação, análise e fabricação.



 

Em um fluxo digital mais maduro, o modelo CAD não é apenas uma representação visual. Ele se torna a base para simulações, estudos de variação geométrica, geração de desenhos e avaliação de alternativas de projeto.

 

CFD: entendendo o escoamento antes da operação


A Dinâmica dos Fluidos Computacional, ou CFD, permite visualizar e quantificar o comportamento do escoamento dentro da tubulação. Em vez de avaliar apenas valores médios de pressão ou vazão, a engenharia passa a enxergar detalhes locais: regiões de alta velocidade, recirculações, gradientes de pressão, zonas de impacto, variações térmicas e distribuição de fases.


Um exemplo simples é o escoamento em uma tubulação com curva em S. A mudança gradual de direção redistribui o perfil de velocidade ao longo da seção transversal. As maiores velocidades tendem a se deslocar para regiões próximas à parte externa das curvas, aumentando gradientes de pressão e perdas de carga em comparação com uma tubulação reta equivalente.


Simulação CFD de fluxo em tubo curvo com mapa de velocidade.
Simulação CFD de fluxo em tubo curvo com mapa de velocidade.

Esse tipo de análise é importante porque muitos problemas operacionais nascem de efeitos locais. Uma região com velocidade elevada pode intensificar erosão. Uma área de baixa velocidade pode favorecer deposição ou prejudicar a mistura. Uma geometria aparentemente adequada pode, na prática, criar instabilidades que afetam o desempenho global do sistema.

 

Análises térmicas e efeitos em sistemas submarinos


Em aplicações de óleo e gás, especialmente em sistemas submarinos, o comportamento térmico é determinante para a segurança e a continuidade operacional. Durante a inicialização de poços e em regiões com alta queda de pressão, como válvulas e estranguladores, pode ocorrer redução significativa de temperatura por efeito Joule-Thomson.



Essa queda térmica pode afetar a parede da tubulação, regiões de vedação e componentes críticos. Temperaturas baixas também aumentam o risco de formação de sólidos no escoamento, como hidratos ou outros depósitos indesejados.


A simulação térmica ajuda a responder perguntas essenciais:


  • Qual é a temperatura mínima esperada na parede da tubulação?

  • Quais regiões estão mais expostas a resfriamento intenso?

  • Os materiais selecionados suportam as condições térmicas previstas?

  • Há necessidade de estratégias de mitigação ou injeção química?

  • Modelos simplificados 1D são suficientes ou é necessária análise 3D de alta fidelidade?


Com essas respostas, o projeto ganha mais robustez e reduz a probabilidade de falhas durante partida, transientes ou operação contínua.

 

Integração térmica, estrutural e FSI


Em muitos casos, não basta avaliar o fluido isoladamente. O escoamento gera campos de pressão e de temperatura que induzem tensões elevadas nas paredes da tubulação. A estrutura, por sua vez, pode deformar e alterar o comportamento do fluido. É nesse ponto que entra a análise de interação fluido-estrutura, conhecida como FSI. Existem duas formas de fazer este acoplamento:


One way – a deformação do sólido não afeta o escoamento


Two way – a deformação do sólido afeta o escoamento. O solver calcula o escoamento, a deformação e a partir dela, ajusta novamente o escoamento.



A integração entre CFD, transferência de calor e análise estrutural permite mapear campos de temperatura do modelo de fluido para o modelo mecânico, reduzindo erros de interpolação e facilitando análises de tensão térmica. Esse fluxo de trabalho é especialmente relevante em coletores, curvas, dutos, equipamentos pressurizados e sistemas submetidos a variações térmicas importantes.


Em aplicações multifásicas, a FSI também é útil para avaliar vibração induzida por fluxo. Em sistemas submarinos, como jumpers e manifolds, pressões dinâmicas e regimes instáveis podem gerar fadiga, comprometendo a integridade do equipamento. Com CFD acoplado à análise estrutural, a equipe consegue prever carregamentos dinâmicos, deformações e regiões críticas antes da falha.


 

Meios porosos: filtros, catalisadores e equipamentos compactos


Nem todo sistema de tubulação envolve apenas regiões livres de escoamento. Em muitos equipamentos industriais, o fluido atravessa estruturas parcialmente bloqueadas, como filtros, leitos empacotados, catalisadores, serpentinas compactas e filtros de partículas.

Nesses casos, modelos de meio poroso representam a resistência imposta pela estrutura sólida ao escoamento. O modelo considera propriedades como porosidade, condutividade térmica, densidade e calor específico para estimar queda de pressão, troca de calor e distribuição de velocidade.


Exemplo do modelo de meio poroso usado para uma aplicação de DPF (Filtro de Partículas Diesel)

Exemplo do modelo de meio poroso usado para uma aplicação de DPF (Filtro de Partículas Diesel)


Essa abordagem é especialmente relevante em sistemas de pós-tratamento automotivo, filtros industriais e catalisadores. Em aplicações reativas, como sistemas SCR (Redução Catalítica Seletiva) para redução catalítica seletiva de NOx, o modelo pode incluir pulverização, química heterogênea, catalisador tratado como meio poroso e parâmetros ajustados para representar a conversão química e a relação amônia/NOx.


Resultados globais do caso de Abidin et al. com Simcenter STAR-CCM+
Resultados globais do caso de Abidin et al. com Simcenter STAR-CCM+

Resultados globais do caso de Abidin et al. com Simcenter STAR-CCM+

 

O resultado é uma representação realista do desempenho do equipamento, com melhor capacidade de prever eficiência, perda de carga e comportamento térmico ao ser comparado com o experimental, trazendo vantagens no time-to-market e custos com testes físicos.

 

Escoamento multifásico


Grande parte dos desafios em tubulações industriais envolve mais de uma fase. Pode haver gás e líquido, líquido e partículas, lama mineral, areia, bolhas, filmes líquidos, gotas ou sólidos em suspensão.




Em óleo e gás, por exemplo, a produção de areia em poços pode causar erosão severa em equipamentos submarinos e de superfície. Já em mineração, dragagem e determinados processos industriais, o transporte de lama ou slurry é uma aplicação crítica, pois envolve uma mistura de fluido com partículas sólidas em suspensão, geralmente transportada de forma contínua por longas linhas de tubulação.


Malha hexaédrica estruturada aplicada em tubo curvo 3D.

Escoamento de fluido pesado (slurry)

Esse tipo de escoamento apresenta desafios próprios. A interação fluido-partícula é complexa, a distribuição de sólidos pode ser não uniforme e o comportamento do sistema depende diretamente da velocidade de transporte, do tamanho das partículas, da concentração de sólidos e da geometria da linha. Quando a velocidade é baixa, há risco de deposição, formação de leito e bloqueios. Quando a velocidade é alta, aumentam a perda de carga, o consumo energético e o potencial de erosão nas paredes da tubulação.



No caso de lama mineral, a simulação CFD permite prever variáveis importantes para o projeto e a operação, como variação de pressão, concentração de sólidos, velocidade crítica de transporte e regimes de escoamento. Com isso, é possível avaliar se o sistema tende a operar em regime mais homogêneo, heterogêneo ou estratificado, além de identificar regiões com maior risco de deposição, desgaste ou instabilidade operacional.


Gráfico e mapa de contorno mostrando fração volumétrica de slurry em tanque.

A simulação multifásica permite avaliar:


  • Transporte de sólidos e partículas;

  • Erosão por impacto ou abrasão;

  • Distribuição de concentração de sólidos;

  • Velocidade crítica para evitar deposição;

  • Formação de leito e risco de bloqueio em linhas de slurry;

  • Regimes homogêneos, heterogêneos ou estratificados;

  • Fluxo anular em pipelines;

  • Redistribuição de filmes líquidos em curvas;

  • Estabilidade operacional do sistema.


Gráfico de velocidade do slurry e simulação de erosão em tubulação.

Com modelos como DEM, VOF e abordagens multifásicas Eulerianas, é possível estudar tanto a interação partícula-parede quanto a distribuição de fases contínuas e sólidas. Isso amplia a capacidade de prever regiões críticas de desgaste, deposição, bloqueio, instabilidade e perda de eficiência, apoiando decisões sobre velocidade operacional, diâmetro da tubulação, geometria de curvas e estratégias para reduzir consumo energético e falhas operacionais.

 

Otimização: construir, simular, explorar e avaliar


O grande ganho da simulação aparece quando ela deixa de ser usada apenas para validar uma solução única e passa a explorar múltiplas alternativas. Em vez de perguntar se um projeto funciona, a engenharia passa a perguntar qual configuração funciona melhor.


Gráfico mostrando redução do tempo de engenharia e aumento de valor ao longo do processo.

Com estudos paramétricos e otimização, é possível avaliar automaticamente diferentes geometrias, diâmetros, curvas, ângulos, aberturas, condições operacionais e combinações de projeto. Ferramentas como o Design Manager integrado ao Simcenter STAR-CCM+ permitem realizar varreduras manuais ou automáticas, estudos de robustez, otimizações, comparações entre variantes e análises de sensibilidade.


Gráfico de dispersão comparando custos de projetos viáveis e inviáveis.

Essa abordagem ajuda a identificar geometrias que minimizam perdas de carga, reduzem zonas de recirculação, melhoram a distribuição de velocidade e aumentam a eficiência global do sistema.



Diagrama de modelos surrogate conectando DOE, banco de dados e previsões.

Os benefícios são diretos:


  • Redução do tempo de análise;

  • Avaliação simultânea de múltiplos cenários;

  • Maior compreensão do comportamento do produto ou processo;

  • Decisões mais rápidas e embasadas;

  • Projetos mais robustos;

  • Melhor desempenho operacional;

  • Maior valor extraído de cada ciclo de engenharia.

 

Estudo de caso: otimização de filtro de manga


Apresentamos um estudo de caso envolvendo um sistema de filtro de manga, equipamento utilizado em processos industriais para controle de emissões particuladas em setores como mineração, cimento, siderurgia e processos químicos.


Simulação CFD de transporte pneumático com mapa de velocidade em tubulação e silo.
Simulação térmica CFD mostrando distribuição de temperatura em tubulação e silo.

O estudo utilizou o Design Manager acoplado ao Simcenter STAR-CCM+ para parametrização e otimização geométrica. A geometria foi configurada para permitir a avaliação de diferentes cenários construtivos e operacionais, incluindo:


  • Variação do diâmetro das tubulações;

  • Utilização de venezianas;

  • Alteração das dimensões das venezianas;

  • Avaliação de diferentes ângulos de abertura, como totalmente aberta, abertura em 30° e totalmente fechada.


Ao todo, foram analisadas 36 configurações. A comparação simultânea dos cenários permitiu avaliar variáveis de interesse, visualizar o comportamento térmico e entender o impacto de cada alteração geométrica no desempenho do sistema.



O melhor design avaliado apresentou veneziana de 95 cm com abertura de 30°, tubulação com raio de 26 cm e redução térmica de aproximadamente 3 °C ao longo da linha de tubulação.


Mais do que o valor absoluto da redução térmica, o estudo evidencia o papel estratégico da automação de simulações. Com a parametrização, a equipe conseguiu comparar vários cenários, reduzir o tempo de análise e aumentar a confiabilidade da tomada de decisão.

 

O papel da CAEXPERTS na digitalização da engenharia

 

CAEXPERTS atua com simulação computacional, engenharia aplicada e implementação de soluções tecnológicas, apoiando empresas na resolução de desafios industriais com foco em inovação, competitividade e retorno sobre investimento em CAE.


Como parceira e revendedora oficial das soluções Siemens Digital Industries Software, a CAEXPERTS contribui para a transformação digital da engenharia por meio da combinação entre conhecimento prático, tecnologia de ponta e suporte técnico especializado. Além do fornecimento das soluções, atuamos na implementação das ferramentas e no desenvolvimento de metodologias para maximizar resultados e acelerar a maturidade digital das empresas.


Um dos diferenciais da CAEXPERTS está na forma como conduzimos a implementação das soluções. Contamos com uma equipe multidisciplinar composta por especialistas de diferentes áreas da engenharia, oferecendo suporte técnico contínuo e alinhado aos desafios reais da indústria. Além disso, desenvolvemos o primeiro projeto em conjunto com o cliente, promovendo a transferência de conhecimento prático para a equipe interna e acelerando a curva de aprendizado. Essa abordagem permite maior autonomia operacional, reduz riscos de implementação e potencializa o retorno sobre o investimento realizado em tecnologia e engenharia digital.


No contexto de tubulações industriais, isso significa apoiar empresas em diferentes etapas do processo: desde a modelagem CAD e preparação de geometria até simulações CFD, análises térmicas, escoamentos multifásicos, interação fluido-estrutura, otimização e avaliação de integridade.

 

Conclusão


Projetar tubulações industriais é equilibrar desempenho, segurança, custo, eficiência energética e confiabilidade. Em sistemas cada vez mais complexos, decisões baseadas apenas em experiência prévia ou cálculos simplificados podem deixar de capturar fenômenos locais importantes.


A simulação computacional permite enxergar o comportamento real do sistema com mais profundidade. Ela antecipa falhas, reduz incertezas, compara alternativas, orienta escolhas de projeto e acelera a tomada de decisão.

 

Ao integrar ferramentas como CFD, análise térmica, DEM, FSI, modelos multifásicos, meios porosos e otimização, a engenharia passa a construir soluções mais robustas, mais rápidas e com melhor custo-benefício.


Se a sua empresa enfrenta desafios com perda de carga, erosão, deposição, vibração, aquecimento, resfriamento, transporte de sólidos ou otimização de sistemas de tubulação, a CAEXPERTS pode apoiar sua equipe na aplicação da simulação como ferramenta estratégica para melhorar resultados industriais.

 

Sobre o apresentador


Foto do apresentador Marcus de Castro Neves

O webinar foi apresentado por Marcus de Castro Neves, Engenheiro Mecânico, M.Sc. e Especialista CAE. Marcus possui ampla experiência na aplicação de simulação computacional para desafios de engenharia industrial, com atuação em análises CFD, escoamentos multifásicos, transferência de calor, sistemas de combustão, interação fluido-estrutura e otimização de sistemas.

Certificado de profissional no STAR-CCM+ do apresentador

Além disso, Marcus é certificado pela Siemens Xcelerator Academy como Certified Simcenter STAR-CCM+ CFD Professional 2025, reforçando sua qualificação técnica no uso de uma das principais plataformas de simulação multifísica do portfólio Siemens.



Quer avaliar um desafio real de tubulação, erosão, perda de carga, escoamento multifásico ou otimização de projeto na sua empresa? Agende uma reunião com a CAEXPERTS e descubra como nossas soluções em simulação computacional, CFD, análises térmicas e otimização podem transformar desafios operacionais em decisões estratégicas, reduzindo riscos, custos e acelerando resultados com tecnologia Siemens e expertise aplicada à engenharia.


WhatsApp: +55 (48) 98814-4798



 
 
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